eu sou a minha distância ou “manuscriptus”

Lucimar Bello (2002 | 2006)

eu sou a minha distância ou manuscriptus

,guardei durante 20 anos, as anotações de um Curso de Especialização em História Moderna e Contemporânea. Ao arrumar a mapoteca em 2004, rasguei as folhas (papel jornal, tamanho ofício), em 4 partes (em torno de 10 x 16 cm). As anotações eram com canetas coloridas, Bic. Fui jogando no lixo… Em certo momento vi a data – 1984. Imediatamente recolhi cada uma das partes em atitudes quase sacras, celebrando 20 anos de guardados… Lembrei rapidamente de Gavetas dos Guardados, livro sobre Iberê Camargo e, lembrei de Paul Klee e tantos artistas arquivistas, de ontens, de hojes, Mabe Bethônico, Sophie Calle, Regina Silveira… Espalhei aqueles restos no chão da sala e ficamos nos olhando por vários dias… até que decidi fazer,  no verso, monotipias (com tinta a base d’água), sobre aquelas anotações – mãos de 1984 e mãos de 2004 juntas, camadas fazendo dialogar corpos-escrituras de 1984, com corpos-escrituras.impressões de 2004. Mãos se afirmam corpos escapam tempos se esgarçam. Marcel Broothaers, Felix Guattari, Gilles Deleuze me habitam.

Este trabalho – 240 monotipias impressas sobre papéis – foi montado no MUnA (2006). Os papéis eram presos em presilhas de metal; seguros ao teto com fio de nylon bem fino. Este nylon descia até o chão. Chumbadas de pesca, sustentavam as linhas ao chão, gerando leveza e sustentação. Toda a montagem passava pelas delicadezas, sensações de corpos passantes, movimentos muito leves. A cada corpo passante, sutis movimentos aconteciam… de longe pareciam mãos que se davam… a iluminação cruzada sugeria várias camadas com movimentos, torções,  dádivass, compartilhas,